Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estima que o pico da pandemia do coronavírusvai acontecer no início de junho e recomenda o lockdown para frear a velocidade de transmissão da Covid-19 no estado.

O cálculo, feito por cientistas do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), mostra que o número de infectados pela doença no RJ pode chegar a 40 mil no pico da pandemia, previsto para a primeira quinzena de junho.

Ainda segundo a estimativa, se o lockdown não for adotado no estado, o número de mortes pode ser de 30 mil pessoas no fim da pandemia caso o cenário atual — de apenas 50% da população fluminense seguindo o isolamento social — seja mantido.

Segundo o professor do Coppe/UFRJ, Guilherme Travassos, os pesquisadores desenvolveram um modelo que recalcula, automaticamente e de forma confiável, o cenário futuro. O sistema permite visualizar as consequências das atitudes tomadas há 15 dias da data da análise.

Segundo a UFRJ, os resultados do modelo têm como base os dados epidemiológicos dos casos notificados da Covid-19 entre 20 de fevereiro e 2 de maio deste ano. A partir deste período, os pesquisadores calcularam a evolução da pandemia pela linha do tempo, usando o dia 3 de maio como ponto de partida para as simulações.

O modelo também tem com uma espécie de velocímetro para que a população acompanhe a evolução dos casos e previsões todos os dias, pela internet. A opção vai estar disponível em breve no site para acompanhamento do coronavírus da UFRJ.

Os cálculos são feitos utilizando os números informados pela Secretaria Estadual de Saúde do RJ e apontam que cada pessoa infectada é capaz de transmitir o vírus para outras 2,46 pessoas em média.

Pesquisadores defendem lockdown

Segundo os cientistas da Coppe/UFRJ, o lockdown imediato é a forma mais eficaz, no momento, para poupar vidas e também evitar o colapso no sistema de saúde.

A modelagem indica que, durante o pico, vão ser necessários 800 ventiladores pulmonares novos funcionando, simultaneamente, sem contar os que já estarão em uso pelos pacientes que adoeceram antes.

De acordo com Medronho, que lidera o Grupo de Trabalho Multidisciplinar para Enfrentamento da COVID-19 da UFRJ, as medidas de isolamento social adotadas têm contribuído para reduzir o número de casos, mas não são suficientes para frear as contaminações.

Ainda segundo Medronho, caso a vacina não chegue a tempo, o Rio de Janeiro pode enfrentar uma segunda onda de epidemia, mas que ainda não é possível estimar o período em que essa situação pode acontecer.

Fonte: G1 25/05/2020

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